QUER IR A PARIS? VÁ!

 Você quer ir a Paris? Vá! Não deixe que nada lhe impeça!

A minha vontade de conhecer Paris remonta à Idade da Pedra.

Eu amo a língua francesa e todas as belezuras do lugar!

No ano passado recebi um dinheiro que o governo federal me devia, comprei um carro zero à vista (o meu já tinha 21 anos de idade, também comprado zero e à vista de outra dívida do governo federal para comigo) e resolvi que o restinho que sobrou seria gasto numa viagem a Paris.

Primeiro ia com duas amigas, mãe e filha, mas a mãe está com a síndrome de Guillain-Barré e não podia mais viajar. Quase desisti!

Íamos nos hospedar num AP que um rapaz paraibano, que faz assessoria a brasileiros que vão a Paris ia nos alugar, assim como fazer os passeios conosco. Seria contratado por 5 dias e cada uma de nós pagaria 50 euros por dia, pelo dia inteiro, para ele nos levar a vários lugares de Paris. Quando minhas amigas desistiram, ficou inviável para mim essa opção.


Aconselhada pelos meus primos Vandson, Vandivel e Thiago e pelos meus amigos Nayara e Pepê, comecei a futucar a internet em busca de informações de sites que dizem a você como ir e o que fazer em vários lugares do mundo, como Viagem na viagem e Conexão Paris.


Também comprei uma publicação da Editora Abril sobre Paris que, confesso, não consultei muito.


A hospedagem comprei pelo site hoteis.com. Escolhi um hotel simples, 3 estrelas, mas num local maravilhoso, a Rue de Rivoli, que fica perto da Notre Dame, Saint Chapelle, Museu do Louvre, Centre Georges Pompidou, Place de la Concorde, etc e a 200m de duas estações do metrô.


Nos sites vi opções de passeios para cinco dias, tempo que eu dispunha e o dinheiro dava, até porque trabalho e não podia ficar muito tempo afastada.


Comecei a futucar preços de passagens e encontrei pela Air France/KLM um preço muito bom, mesmo saindo de Fortaleza e tendo que comprar as passagens para Fortaleza por fora. Ainda assim saía mais barato que comprar pela TAP. Comprei!

Esse voo fazia conexão, na ida e na volta, no aeroporto de Schiphol, em Amsterdam, na Holanda. Se francês e inglês já são complicados pra quem só conhece um pouco como eu, imagine holandês! Esse era o meu maior medo, pois em Schiphol eu ia fazer a imigração, quando me perguntariam para onde ia, quanto tempo ficaria, etc, etc, etc, mas  levei tudo pronto!


E na imigração, sem entender nada que o cabra falava, mostrei passagem de volta, hospedagem no hotel em Paris e o seguro viagem, que precisamos para ir a qualquer país. Foi moleza! Me liberou sem problemas!


Vale salientar que no meu smartphone tinha o tradutor Google instalado para qualquer necessidade, até com o holandês habilitado.


Meu voo Fortaleza-Amsterdam, tinha atrasado duas horas em Fortaleza porque a porta do compartimento de bagagens não funcionava. O resultado? Quando cheguei a Paris minha mala não tinha chegado e só a recebi no dia seguinte, sendo obrigada a comprar roupa íntima e uma sandália, porque só tinha a roupa do corpo. A Air France/KLM vão me ressarcir do prejuízo.


Em Paris comprei o Musée Paris Pass para 4 dias, por 62 euros, que dá entrada para vários monumentos e museus. Vale a pena!


Também comprei o Navigo Découverte para uma semana, por 22,70 euros, mais 5 euros do cartão (precisa levar uma foto 3X4), que dá direito a andar nas 5 regiões de Paris no metrô, trens e ônibus. A passagem unitária do metrô custa 1,95 euros. Muito bom!


Depois desses preparativos, foi só seguir o roteiro que fiz, de acordo com as dicas dos sites Viagem na viagem e Conexão Paris, assim como a ajuda do Google View e seguir tudo o que estava programado.


Quando chegava aos lugares já ia dizendo: Je ne parle pas français. Je suis brésilien. Où est (e dizia o nome do lugar). As pessoas já tentavam me ajudar em português, se havia alguém que dominasse a língua ou em espanhol, que ficava mais fácil de entender. Quando não tinha jeito, escrevia tudo em português no tradutor e ele traduzia para o francês. Foi ótimo!


A volta foi tranquila. No aeroporto Charles De Gaulle, onde cheguei e de onde ia partir, a gente faz o check-in direto nos totens disponíveis, inclusive em português. O cartão de embarque já inclui a conexão que também foi em Amsterdam.

A conexão no Schiphol é que foi mais trabalhosa, pois o aeroporto é enooooooooooooooorme e eu tive que correr para o portão de embarque, que eles mudaram umas três vezes e me avisavam por email, mas cheguei, suada e esbaforida, mas a tempo de pegar o avião para o Brasil.


O ruim da viagem é passar 8 horas dentro de um avião e em cima do Atlântico. É um saco! Se o avião cair, se não morrer da queda, morre afogado!


Então, faça uma viagem assim, com seus próprios roteiros e prioridades. As empresas de turismo te dão opções muito limitadas e cobram muito caro. Há lugares que você só passa na porta. Eu entrei em todos os lugares que quis e só não subi as escadas, por exemplo, da torre da Notre Dame e do Arco do Triunfo, porque são enormes e meus joelhos não permitiam. Bastavam as escadas do metrô para as quais não tinha opção. 


Na Torre Eiffel, comprei a opção de subir pelos elevadores e com hora marcada, que a gente faz pelo site oficial deles, sem sair de casa e antes de viajar. Assim também foi com o show do Moulin Rouge.


Fui sozinha, com a cara e a coragem e não me arrependi! Minha amiga Neide e o sobrinho Pedro, só juntaram-se a mim no último dia, quando fomos à Torre Eiffel.


Tome coragem e vá! Vale a pena!

27/05/2018



                                                             Paris1b

IMPRESSÕES DA VIAGEM A PARIS

Aos 65 anos de idade, consegui realizar um grande desejo que foi conhecer Paris.
Amei a experiência, em todos os sentidos! Paris é, realmente, o que eu esperava!
Só achei que Paris não é um lugar para idosos como eu ou deficientes físicos, pelo menos que usem o metrô. Essa conclusão é por causa da quantidade imensa de escadas que tive que descer e subir para chegar às linhas do metrô (vejam a foto), sem contar as escadas dos monumentos que visitei. Raras foram as vezes que consegui achar uma escada rolante. E nessa exceção estão as estações do Louvre (fica dentro do museu) e de La Défense, o centro financeiro de Paris, todas duas servidas por escadas rolantes.

                                        

E para minha surpresa, os cafés nos quais fiz as refeições, também tinham escadas para chegar ao banheiro, geralmente num andar abaixo do café. Nem assim me livrei das escadas. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Mesmo com os joelhos bichados e joelheiras nos dois, fui em frente e consegui passar por todas elas e cumprir todo o roteiro que eu mesma fiz, depois de consultar vários sites de viagens disponíveis na internet (Viaje na viagem, Conexão Paris, etc).

                                 

Para andar de metrô por uma semana, comprei o Navigo Découverte, que custou 27,80 euros (um passe unitário custa 1,95€), que dava direito a andar de metrô, trem e ônibus em todas as regiões de Paris, incluindo Versailles, quantas vezes quisesse. Precisei levar uma foto 3X4 para colocar no cartão.

                                

Comprei os ingressos para a Torre Eiffel e o show do Moulin Rouge pela internet, no site oficial de cada um. Comprar ingresso com hora marcada para a Torre, é show! A fila que se forma para quem compra ingresso na hora é enorme! Para a nossa fila (eu, minha amiga Neide e Pedro, sobrinho dela) que tínhamos ingresso com hora marcada, havia só 4 pessoas na nossa frente.

                              

Fui só (minha amiga Neide e o sobrinho, Pedro, só chegaram ao hotel no dia 10/05 e só ficamos juntos no meu último dia de passeios), sem dominar o francês, língua que adoro e que estudei por todo o curso ginasial e científico, mas com o pouco que sabia e a ajuda do tradutor Google instalado no smartphone, me saí muito bem. Não me perdi em nenhum momento. E adapto à minha experiência, aquele velho ditado que diz: quem tem boca, vai a Paris!

                             

O único passeio que não completei foi a visita ao Château de Versailles. Cheguei tarde por lá e a fila tinha seis carreiras, com cerca de 200m cada uma, antes de chegar à fila na qual eu estava. Ia demorar umas 2 ou 3 horas para entrar e lá dentro só teria 2 horas para ver as belezuras. Desisti! Se for outra vez a Paris, Versailles será a primeira visita a fazer.

                             

O maior medo que tive nessa viagem, foi da imigração, que aconteceu em Amsterdam, no aeroporto de Schiphol, imenso, pois a minha conexão para Paris foi lá. Se inglês e francês já são difíceis, imagina holandês! Mas deu tudo certo! Mostrei passagem de volta, hospedagem e seguro viagem e entrei sem maiores problemas (meus primos também me ajudaram muito com informações sobre o aeroporto e outras minúcias sobre a viagem).

                 

E quando pensava que já não precisava mostrar mais nada na chegada à Paris, eis que o pessoal da Aduana estava na ponte de saída do avião e me pediram tudo de novo. Só a mim! Aos outros pediram só o passaporte. Fico imaginando se pensaram que esta veinha aqui ia querer morar clandestinamente em Paris. Ou me acharam com cara de terrorista do EI?

                          

Passear em Paris, irei de novo, se tiver oportunidade, mas morar lá não. Não gosto de frio, não aguentaria tanta escada e meu salário de aposentada não dá para isso. Tudo muito caro! Paguei 22 reais por um copo de Coca-Cola. Tô fora!
Aconselho a quem tiver vontade de conhecer Paris, que realize seu desejo. Vale a pena!

                   

E para terminar e antes que digam que eu devia conhecer primeiro o Brasil, informo que conheço boa parte do Brasil. As capitais Fortaleza, Natal, João Pessoa (onde nasci e moro), Recife (onde morei por 51 anos), Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Cidades: Caldas Novas (GO); Campina Grande, Itabaiana, Pilar, Cruz do Espírito Santo, Cabedelo (PB); Olinda, Vitória de Santo Antão, Caruaru, Garanhuns, Triunfo, Gravatá, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Ribeirão, Brejo da Madre de Deus, Cabo de Santo Agostinho, Nazaré da Mata, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Pombos, Itambé (PE); Angra dos Reis, Búzios, Petrópolis, Teresópolis, Volta Redonda, Niterói (RJ); Congonhas, Cordisburgo, Guaxupé, Ouro Preto, Sabará, Tiradentes (MG); Aparecida, São José dos Campos, Campos do Jordão (SP); Cascavel, Foz do Iguaçu, Morretes (PR); Balneário Camboriú, Blumenau, Itapema, Joinville, Lages, São Joaquim, Serra do Rio do Rastro (SC); Bento Gonçalves, Canela, Caxias do Sul, Garibaldi, Gramado, Gravataí, Torres (RS).


22/05/2018

 




Foto: 10/02/2013

SOU SEX!

 

Hoje eu completo 60 anos de idade, portanto, sou sex...agenária e feliz!!!

 

Não tenho o menor problema em declarar a minha idade e apesar de todos os percalços pelos quais já passei, minha vida é muito boa e não tenho do que reclamar. Estudei (fiz 3 cursos de graduação e terminei dois), sou servidora pública federal aposentada, faço um trabalho voluntário na Rede Feminina de Combate ao Câncer da Paraíba que me gratifica muito, tenho um AP simples, mas muito legal! Tenho um Fiat Uno que comprei zero e vai fazer 17 anos, mas está totalmente em forma, porque, afinal, é um adolescente... As contas estão em dia, embora não sobre dinheiro para supérfluos nem para algo que gosto muito que é viajar. Moro numa cidade ainda muito tranquila, com uma boa qualidade de vida e onde pretendo morrer. Cuidei da minha família, principalmente dos meus pais, motivo pelo qual creio ter cumprido muito bem a minha missão na Terra.

 

Não casei e mesmo sem casar podia ter filhos, mas não quis. Talvez me arrependa um dia por isso, mas acho difícil. Tive muitos namorados, um por vez, mas acho que meu destino não era casar e estou muito bem assim. E os críticos de plantão vão me chamar de vadia e outras coisas menos gentis, mas não estou nem aí! Podia e posso namorar muito porque sou solteira, livre e desimpedida. Se os homens podem, eu também posso! Ponto final!!! 


Sobrinhos do meu pai


Sou órfã de pai, mãe, irmão e sobrinho, infelizmente, mas do meu núcleo familiar ainda tenho uma sobrinha e três sobrinhos-netos fofos, filhos do sobrinho. Também tenho muitas primas e primos e um tio e uma tia por parte de mãe. Na doença do meu pai, as suas sobrinhas e sobrinhos foram de vital importância para que eu conseguisse levar a termo a minha missão de cuidar dele.

 

Tanto quanto minha família, minhas amigas e amigos são um capítulo muito importante na minha vida, porque, sempre que precisei estiveram presentes, me confortando, me dando a mão, o ombro para chorar e, muitas vezes, também me socorrendo materialmente. Isso não tem preço!

 

Além de experiência, maturidade e tudo o que conquistei, fazer 60 anos traz um monte de benefícios. De hoje em diante vou poder entrar nas filas preferenciais, estacionar nas vagas de idosos (se não estiveram, INDEVIDAMENTE, ocupadas por jovens, é claro!), ter direito a uma hora grátis na Zona Azul, pagar meia entrada em cinemas, teatros, shows, eventos esportivos, sentar nos assentos reservados aos idosos (também se não estiverem ocupados por jovens), prioridade na tramitação de processos e procedimentos na Justiça, etc, etc, etc. E para tudo isso ficar melhor, só ganhando na megasena, para realizar meu sonho de conhecer, além de todo o Brasil, o mundo!



Meus sobrinhos-netos Yasmin, Lucas e Miguel


Saibam que, pela primeira vez, eu me sinto realmente livre! As pessoas com as quais tinha responsabilidade e dever de cuidar, já partiram. Agora minha responsabilidade é só comigo. Posso ir e vir para onde e quando quiser, sem precisar dar satisfações nem ficar preocupada com a hora de voltar. Essa é uma situação que não tem preço!

 

E não me mandem procurar minha turma porque já estou fazendo isso! Estou à cata de um grupo da terceira idade, melhor idade ou o nome que queiram dar, para me engajar. Quero participar de atividades e fazer novos amigos, pois meus grandes, queridos e velhos amigos estão um pouco longe de mim, no Recife, SP, Aracaju e outros lugares. Não vou substituí-los, claro, até porque são insubstituíveis, quero só fazer novos para seguir com a vida, agora que estou órfã dos meus pais.

 

Como comemoração a esta data, gostaria de fazer uma grande festa, porque adoro celebrar meu aniversário, mas como a grana está curta, não vai dar. Acho que a vida é uma dádiva e que devemos exultá-la sempre, principalmente porque não sabemos quando ela chegará ao fim.




Foto: 20/08/2012

 

E não sei se ainda vou viver muito, mas, se isso acontecer, torço para que seja com saúde, pelo menos razoável, para não dar trabalho a ninguém, afinal não tenho filhos que possam me socorrer numa doença. O meu desejo é morrer de um infarto fulminante para que as pessoas só tenham o trabalho de me enterrar, até porque o jazigo eu já tenho, onde estão meus pais e irmão, só me esperando...

 

Mas eu amo viver, portanto, ainda quero viver muito, enrugadinha, gordinha, chatinha, feinha, brigando muito pelo que acho certo e me indignando pelas coisas erradas e ruins que o mundo nos oferece todos os dias, enfim, sendo na velhice o que fui na juventude.

 

E viva a vida!!!

 

Fátima Vieira

19/02/2013

 




Aos 23 anos, no Recife

90 ANOS DA MINHA MÃE...

 

Hoje minha mãe faria 90 anos. Diferentemente do meu pai ela não ansiava por chegar a essa idade, mas queria ter uma vida longa e saudável, o que, infelizmente, não aconteceu, pois morreu aos 67 anos, em 1990.

 

Era uma pessoa alegre, de bem com a vida e gostava demais de ajudar as pessoas. Era capaz de passar o dia dando comida para todos os pedintes que batiam à nossa porta.

 

Foi uma mãe e esposa exemplar. Brincava com os filhos, fazia aniversários e casamentos das minhas bonecas, doces, salgados e bolos confeitados para os nossos aniversários, sem nunca ter feito um curso de confeitaria.

 

Quando éramos pequenos, morávamos no bairro de Beberibe, no Recife. Papai trabalhava como contínuo no Banco Lar Brasileiro e o expediente era de oito horas. Todos os dias ele ia almoçar em casa e sempre encontrava o almoço pronto para voltar ao trabalho. Detalhe: éramos muito pobres, o fogão era de barro e ela cozinhava com carvão, mas nunca a comida atrasou para o meu pai. Ela adorava cozinhar. Inventava comidas no dia-a-dia, para o nosso deleite.

 

Depois que me tornei adulta, meus amigos sempre iam à minha casa e ela os tratava muito bem. Quem vinha de fora e ficava hospedado lá em casa, ela tratava a pão-de-ló e todos gostavam muito dela.

 

Era baixinha e muito braba. Não deixava que ninguém lhe pisasse nem lhe dissesse desaforos, mas era uma manteiga derretida com os filhos. Não batia em nós nem colocava de castigo e quando aprontávamos algumas ela só dizia: “quando seu pai chegar eu digo!”. E perdia toda a moral, porque não nos castigava na hora. Meu irmão, que era um pestinha, nem ligava para o que ela dizia. Eu era mais calma e caseira, não dava muito trabalho.

 

Sinto muita falta dela ainda e parece que foi ontem que ela partiu. Houve momentos na minha vida que só ela poderia me consolar, mas não estava mais aqui para fazer isso... É o curso natural da vida...

 

Saudades de você, querida e amada mãe!

 

15/01/2013

 


 



 HOMENAGEM AO MEU PAI

 

Homenagem ao meu querido pai pelo primeiro ano da sua morte

*27/03/1922   +21/12/2011

 

 

ORAÇÃO DE SANTO AGOSTINHO

 

A morte não é nada.

Apenas passei ao outro mundo.

Eu sou eu. Tu és tu.

O que fomos um para o outro ainda o somos.

 

Dá-me o nome que sempre me deste.

Fala-me como sempre me falaste.

Não mudes o tom a um triste ou solene.

Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.

Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.

 

Que o meu nome se pronuncie em casa

como sempre se pronunciou.

Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra ou tristeza.

 

A vida continua significando o que significou:

continua sendo o que era.

O cordão de união não se quebrou.

Porque eu estaria fora de teus pensamentos,

apenas porque estou fora de tua vista?

 

Não estou longe.

Somente estou do outro lado do caminho.

Já verás, tudo está bem.

Redescobrirás o meu coração,

e nele redescobrirás a ternura mais pura.

 

Seca tuas lágrimas e, se me amas,

não chores mais.

 

21/12/2012


 


 


Thiago, a mãe, a irmã e o casal de filhos, Yasmin e Lucas

QUERIDO SOBRINHO THIAGO...

 

Faz 7 dias hoje da sua morte brutal e desnecessária e eu queria que, como Lázaro, você também ressuscitasse e voltasse para o seio da sua família, para cuidar dos seus filhos, da sua mulher e deixar todos nós felizes, mas isso não vai acontecer...

 

Faz 7 dias hoje que uma criatura muito ruim que lhe devia dinheiro, a quem você ajudou e acreditava ser alguém que lhe tinha consideração, atraiu você para a morte ajudado por mais duas criaturas tão ruins quanto ele...

 

Faz 7 dias hoje que o seu filhinho tão amado por você, não escuta mais o seu assovio ao chegar em casa, ficando feliz e batendo palminhas porque o painho chegou...

 

Faz 7 dias hoje, exatamente no dia em que a sua filhinha o visitava, que ela não tem mais o pai para dizer: “Papai Thiago!”...

 

Faz 7 dias hoje que nós todos da sua família e, principalmente, sua mãe e sua irmã, choramos a sua perda...

 

Faz só 7 dias que você se foi, mas saiba que por todo o resto das nossas vidas, você será lembrado como o homem doce, de bom coração, que ajudava os outros e que amava muito os seus filhos e a sua família. E isso, querido sobrinho Thiago, é o que vale para todos os que o conheceram e privaram da sua amizade e da sua companhia...

 

Descanse em paz...

 

30/09/2012

 


 

A bela Estação da Luz, no centro de São Paulo


UM ROLÉ POR SÃO PAULO

 

Estou dando um rolé por São Paulo. Vim espairecer um pouco a cabeça que ainda está bastante anuviada com a morte e a saudade do meu pai.




Pepê e Nayara

 

Vir a São Paulo é sempre um prazer para mim. Gosto muito desta cidade, por tudo que ela representa de bom. Aqui a gente encontra tudo o que quer e precisa, em todos os setores. E como sou muito urbana, no sentido lato da palavra, me sinto muito bem aqui. O que não gosto, como não gosto no Recife, minha terra querida por adoção, é da loucura do trânsito, mas como não tenho que dirigir aqui porque não alugo carro e ando de metrô o tempo todo, essa dificuldade não me atinge muito. Afinal estou aqui de férias, para passear e sem preocupação com hora.

 

E tenho grandes e queridos amigos aqui, coisa de décadas de amizade e revê-los é sempre um prazer enorme.

 

Os meus anfitriões são Nayara e Pepê. Ela eu conheci quando casou com ele, há cerca de 15 anos. É um amor de criatura! Ele eu conheço desde 1978. Uma cara, como se diz por aqui (ou se dizia antigamente).




Olha eles aí tirando onda comigo


 

Conheci Pepê na Colônia de Férias do SESC, em Salvador, em outubro/78. Comecei a trabalhar em 71, aos 18 anos, e era a minha primeira viagem de férias, que organizei para ir a Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Pepê estava lá com mais dois amigos, Paulão e João. Os três, publicitários, trabalhavam na Salles Interamericana de Publicidade, na época uma das maiores agências de publicidade do país.

 

Eles foram de São Paulo para Salvador no fusca de Pepê que tinha o apelido de biscoito. O apelido era esse porque Pepê morava em Perus, último bairro de SP na saída pela Anhaguera e junto a uma fábrica de cimento. Biscoito, coitado, era crocante de tanto pó de cimento que recebia da fábrica. E a viagem deles continuou até Fortaleza, mas lá o tadinho do biscoito não aguentou e bateu o motor. Os meninos tiveram que voltar para casa de avião e o biscoito de caminhão-cegonha.




A turma toda no ferry boat para Itaparica


 

Na Colônia de Férias as pessoas eram alojadas por estado e por sexo. Eu fiquei num quarto com uma senhora, a filha e a sobrinha (que ficou minha amiga e saía conosco), todas de Pernambuco como eu. Pepê e os amigos ficaram num quarto com um baiano, pois não havia outro paulista para compor o quarteto. O baiano era folgado demais! Usava os sabonetes e as toalhas dos meninos e todo dia era uma reclamação danada em cima do baiano.

 

Fizemos amizade com um mineirinho, um carioca, duas meninas de Londrina e mais outro paulista, também publicitário, que chegou depois.



Largo da Mariquita hoje


 

Éramos dez, espremidos dentro do biscoito, a sair todas as noites para as baladas. Íamos para boates e antes, sempre para o Rio Vermelho, no Largo da Mariquita, onde o garçom atravessava a praça inteira para nos servir. Numa das vezes os meninos colocaram o mineirinho na maior roubada. Inventaram de fazer vira-vira com a bebida, só que eles não bebiam todas as vezes, só o mineirinho, coitado, que ficou bêbado de não se agüentar em pé.

 

A volta dessas noitadas para a colônia era uma comédia. Havia uma regra de que não podíamos chegar depois da meia-noite, mas até que a gente chegava cedo, às 5/6 da manhã. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK




Homenagem a Pepê


 

O que fazíamos para entrar? A alameda de entrada da colônia era uma ladeira, então a gente ficava em silêncio, desligava o motor do biscoito no começo da ladeira e deixava-o deslizar até a porta dos alojamentos, sem fazer barulho para não sermos pegos e não corrermos o risco de sermos expulsos da colônia. Era bom demais!

 

Meu plano de viagem acabava no Rio de Janeiro e vale salientar que a viagem foi toda feita de ônibus, pois, naquela época, viagem de avião era coisa para rico e eu era só uma trabalhadora. No entanto, Pepê conseguiu me convencer a vir a SP, depois do Rio de Janeiro.




Antiga Rodoviária


 

A chegada a SP foi outra comédia. A rodoviária era lá no centro de da cidade, com uma decoração de mau gosto que doía na vista. Cheguei à noite e Pepê prometeu me esperar, pois eu não conhecia nada e estava só.

 

Cheguei e toca a esperar Pepê, mas nada dele aparecer. Me deu um desespero... Mas como não sou mulher de ficar esperando sentada, agarrei minha mala e saí arrastando-a para o posto de comunicação, onde pedi que o chamassem pelo serviço de som (olha o celular fazendo falta!). Minutos depois ele aparece com o pai, dando risada porque eu estava a ponto de chorar de agonia por não encontrá-lo. Eles tinham ido tomar uma cerveja e esqueceram, literalmente, de mim.




Pepê, a família e o amigo Paulão



Depois foi tudo maravilha e fui muito bem recebida na casa dele, pelos pais e irmãos. Fiquei lá da sexta até o domingo, quando voltei para o Recife, enfrentando uma viagem de 54 horas. Não deu para conhecer muita coisa por causa da exiguidade do tempo, mas foi tudo ótimo e naqueles 3 dias me apaixonei por São Paulo.

 

Voltei várias e várias vezes aqui, onde fiz mais amizades (tive até um namorado, amigo de Pepê) e fui conhecendo um pouquinho mais das coisas boas que SP oferece.




Memorial da Resistência, que ainda vou conhecer


Continuo apaixonada pela cidade e se um dia ganhar na megasena (preciso jogar primeiro), compro um AP só para vir passear aqui de vez em quando. Morar acho que não venho, pois pretendo continuar a viver no meu Nordeste querido e menos congestionado.

 

Então, aqui estou eu de novo, querida São Paulo, para visitá-la e aproveitar tudo de bom que você me oferece. E agradeço por me receber sempre bem e de braços abertos!

 

Fátima Vieira

 

06/05/2012

 




 No dia dos aniversários de 2006 a 2011


90 ANOS DO MEU PAI

 

Hoje meu pai faria 90 anos. Essa idade era muito importante para ele porque sempre falava em quando faria 90 anos, como se fosse um marco. Era um orgulho para ele chegar tão longe na vida. E lembrava que os irmãos morreram com mais de 90 ou perto disso. E ele quase conseguiu...

 

E eu ficava imaginando fazer uma festa para ele nesta data. Queria que fosse uma grande festa porque ele merecia e porque a idade o envaidecia muito. Lembro que sempre dizia: “a minha alegria é a minha velhice”, então nada melhor que comemorar essa alegria de forma grandiosa. Infelizmente não aconteceu...

 

Parabéns, querido e amado pai, pelos 90 anos que não chegou a completar. Continuo com muitas saudades suas e muitas vezes penso ouvi-lo levantando-se para fazer alguma coisa, mas é só impressão.

 

A nossa casa ficou vazia sem você. O meu coração está vazio sem você. E todo dia peço a Deus que me ajude a suportar esse período tão doloroso e que parece não acabar nunca. Peço a Ele que deixe só a saudade boa, sem sofrimento e sem tantas lágrimas. Vai demorar ainda, mas vai acontecer e aí poderei voltar a ser mais alegre e a ficar de bem com a vida como sempre fiquei.

 

Saudades eternas, meu querido pai...

 

Fátima Vieira

 

27/03/2012

 



De azul, sua cor preferida - 20/03/2011
 
30 DIAS SEM MEU PAI...

 

Hoje faz 30 dias que meu pai partiu para sua viagem final. Após 4 meses de agravamento das suas doenças, chegou a sua hora em 21/12/2011.

 

A vida inteira ele teve toda a assistência que eu pude dar. Desde coisas simples, até as mais específicas para aliviar os efeitos das suas doenças e das suas limitações, lhe foram proporcionadas por mim, com muito amor, carinho, prazer e boa vontade. E Deus me concedeu o privilégio de ter sido a última pessoa a vê-lo com vida. às 3 horas da manhã eu lhe dei água, brinquei com ele e beijei-o muito. Quando acordei de um cochilo na cadeira às 4:40, ele havia partido...

 

Meu pai também passeou e se divertiu muito, pois sempre viajávamos nas férias e nos longos feriados, como a Semana Santa. O destino principal era João Pessoa, onde mora sua família e porque eu temia que ele morresse, já que estava envelhecendo, sem ver as pessoas queridas. Esse também foi um dos motivos que me levaram a voltar para João Pessoa, depois de sair daqui bebê e voltar após 53 anos.

 



Quando conheceu a bisneta Yasmin – 13/08/2011


Viajávamos também para outros lugares, praias, principalmente, e em 2005 passamos a semana inteira do carnaval em SP. De lá fomos até Aparecida, São José dos Campos e Campos do Jordão. Íamos de metrô para o Terminal Rodoviário do Tietê e lá pegávamos um ônibus para essas cidades. Voltávamos no fim do dia ou então no dia seguinte, como quando fomos a Campos do Jordão. Ele ainda aguentava andar a pé e viajar de ônibus. Estava muito bem naquela época.

 

E ele nunca me pediu para voltar para João Pessoa, até porque nossa vida estava toda organizada no Recife (trabalho, principalmente), mas eu sabia que esse era um desejo dele.

 

Quando em 2007 comecei a procurar moradia aqui, escolhi como local o bairro de Jaguaribe, pois é onde mora boa parte da família dele e da minha mãe e todos pertinho de nós. Além disso, Jaguaribe foi o bairro onde ele e minha mãe viveram (ele, depois que veio do Pilar, sua terra natal, morar com o irmão e as sobrinhas) até casarem e mudarem para Curitiba e depois para o Recife.




Uma das últimas fotos - 05/11/2011


No início, quando ele ainda podia andar muito, saía para caminhar de manhã cedo e ia longe, revendo os lugares que conhecia como a palma da mão. Ao andar de carro pelo bairro, ficava dizendo para mim: “ali morou fulano, ali sicrano, essa rua tinha outro nome” e coisas desse tipo. Era uma viagem no tempo e na sua memória, que era ótima.

 

Eu ainda estou muito triste com a sua partida e não há dia que eu não chore e que não lembre dele, mas sei que isso vai melhorar com o tempo. Nessas ocasiões o que me ajuda é ter a certeza de que ele teve assistência, amor, carinho e o melhor que as nossas condições financeiras puderam oferecer, principalmente nos últimos anos de vida. E mereceu tudo isso, pois foi um ótimo pai, marido, tio, filho, irmão, cunhado, genro e amigo.

 

Ele adorava conversar e fazia isso onde chegava, até com estranhos. E quando não gostava das pessoas, não tinha jeito. Não as destratava, mas também não fingia gostar só para agradar. Esse era seu Ademar Vieira.

 

Saudades eternas, meu querido pai...

 

Fátima Vieira

 

21/01/2012

 


 


Quatro gerações: meu pai, eu, minha sobrinha Michele e a caçula da família, a bisneta Yasmin - Foto: 13/08/2011


QUERIDO PAI...

 

Querido pai, hoje é o seu dia, dia imposto pelo calendário comercial para que todos comprem muito e os comerciantes tenham mais lucros.

 

Para mim hoje não é o seu dia e sabe o porquê? Porque todo dia é o seu dia.

 

Nós convivemos 24 horas por dia há 58 anos, o tempo que tenho de vida, pois nunca saí de casa para morar fora, embora, quando jovem, tenha querido isso, mas não pude fazê-lo por questões financeiras.

 

Continuar em casa depois de adulta e conviver com você e mamãe, teve encantos e desencantos, claro, pois a convivência entre pessoas sempre tem altos e baixos, afinal cada um tem seu jeito, sua personalidade, seu modo de ser e conosco não foi diferente, mas nunca me arrependi.

 

Cuidar de vocês que já estavam envelhecendo e precisavam de mim, foi bom e gratificante, pois sempre me senti responsável pela família e sempre fui de opinião que estava fazendo a minha parte e retribuindo tudo o que vocês, meus pais, fizeram por mim, ao me educarem e me darem conforto e segurança.

 

Hoje restam só nós dois e a nossa luta diária. Você com seus inúmeros e sérios problemas de saúde e eu tentando minorar esses problemas e cuidando de você com o melhor que eu possa fazer, dentro das minhas limitações, do meu modo de ser, mas fazendo tudo com muito amor e boa vontade.

 

Querido pai, eu peço a Deus todos os dias para que as doenças que o afligem não o coloquem em uma situação indigna para um ser humano, porque ninguém merece isso, muito menos você, que foi um ótimo filho, irmão, marido, pai, amigo, que sempre cumpriu com seus deveres e que nunca deixou sua família passar necessidades.

 

Peço também que continue com seu bom humor, com a sua vontade de viver, de conversar e contar as coisas da sua vida e da sua família e que as pioras no seu estado clínico não afetem esse seu lado tão bom de conviver.

 

Peço, enfim, que ainda fique por muito tempo entre nós, me fazendo companhia e me fazendo feliz, principalmente, por tê-lo junto a mim.

 

FELIZ DIA DOS PAIS, QUERIDO PAI!

 

14/08/2011

 


 



PARABÉNS, THIAGO!

 

 

Meu querido sobrinho Thiago, hoje você completa 25 anos de vida e é um rapagão bonito, inteligente, alegre, saudável e bem disposto!

 


Foi um bebê muito fofo

Sua vida não tem sido fácil. Perdeu seu pai de maneira trágica aos 13 anos e, como conseqüência dessa perda, perdeu também o rumo da vida. Sofreu um bocado para retornar aos trilhos, mas conseguiu, com ajuda de toda a família, que nunca o abandonou, principalmente sua mãe e sua irmã. E eu torço para que continue nos trilhos, para seu bem e agora, da sua filhinha linda.

 


E essa tragédia trouxe uma coisa boa, que foi a descoberta de outro irmão, do qual ninguém sabia da existência. E mais, ele tinha o mesmo nome e idade que você. Infelizmente, ele também se foi tragicamente...

 


Só queria brincar...

Você sempre foi um menino bom e sem maldade e, como seu pai, não gostava de estudar, só queria brincar. Era um pestinha, porque aprontava muito em termos de peraltices, mas não era violento e até apanhava dos colegas na escola. E seu coração sempre foi maior que você. Lembro de uma história em que você, ainda menino, deu o dinheiro que tinha no bolso para um mendigo que encontrou na rua com fome.

 


O que fazia?


E lembro, também, de uma aprontação sua, indo uma vez à sacristia de uma igreja com sua tia-avó Eliete e, quando ela descuidou-se, você pegou as hóstias que estavam para serem benzidas e comeu-as. Seria bom que tivesse comido as que estavam bentas, para ver se assim ficava menos traquina e tomava gosto pelos estudos. Sua vovozinha Cinira, minha mãe, fez uma coisa parecida com o seu pai: levou-o à Igreja da Penha no Recife e sentou-o na cadeira de Dom Vital, para ver se assim ele também ficava mais calmo e estudioso. Ledo engano, ele não mudou nada.

 


Comigo, seu pai, seu avô e sua irmã


Você sempre foi muito querido por todos da família e, mais ainda por seu pai. Sei que não é fácil entender o que ele fez, deixando você e sua irmã, ainda muito novos, sem pai. Você não precisa entender, basta saber que, mesmo fazendo o que fez, ele os amava muito. Infelizmente, estava deprimido e nessa situação as pessoas não raciocinam direito, podendo chegar a extremos, como foi o caso dele.

 


Com a sua fofinha Yasmin


E onde seu pai estiver, deve estar com muita raiva do que fez, pois não está aqui para curtir a neta Yasmin, sua filhota linda, que só tem 4 meses e já é muito amada e querida por todos nós.

 


O pai muito amoroso d euma pequerrucha linda


Querido Thiago, eu lhe desejo muitas felicidades, muito sucesso, muita saúde, disposição e perseverança para enfrentar a vida e seus percalços e muitos, muitos anos de vida para cuidar de Yasmin e dos outros filhos que ainda terá.

 

Deus o abençoe sempre!

 

Fátima Vieira

 

09/05/2011


 


 




PARABÉNS, MICHELE!!!

 

 

Michele, minha sobrinha querida...

 

 

 

Você já foi assim...

 

 

 

E assim...

 

 

 

Uma pequerrucha linda que dizia: "Com lichencha...", quando precisava passar e alguém estava impedindo...

 

 

 

 E que ia lá para casa ajudar mamãe, vovozinha, como você a chamava, a preparar o almoço de papai...

 

 

 

Que foi minha madrinha de formatura, substituindo vovozinha, que já havia partido...

 

 

 

Que adora pizza com Coca-cola...

 

 

 

Que é muito querida por seus avós, suas tias, seu irmão, sua mãe, seus primos, seus amigos...

 

E foi muito querida por seu pai também...

 

 

E que adora sua sobrinha Yasmin, a mais nova integrante da família...

 

 

 

Continue a ser esse amor de pessoa, alegre, desprendida, generosa, amiga, atenciosa com a família e que um dia venha a ter sua própria família, para que esse amor que tem por crianças, possa ser derramado sobre seus filhos.

 

Feliz aniversário, querida sobrinha!

 

Seja muito feliz e continue a fazer a felicidade dos que a rodeiam!

 

E que Deus a abençoe e guarde sempre!

 

11/04/2011

 



 

 

PARABÉNS, PAPAI!!!

 

Fátima Vieira

 

Hoje é um domingo especial para mim porque é o aniversário do meu pai. Está fazendo 89 anos e acho que ainda fará muitos mais, pois na família dele todos vivem muito, até depois dos 90 anos. Como ele é o caçula de nove irmãos, então deverá viver um bocado ainda.

 

Meu pai nasceu no Pilar – PB, terra de José Lins do Rego, situada a 60km de João Pessoa. Menino ainda, veio morar na capital, na casa do irmão que já era casado e 16 anos mais velho do que ele. Voltou para o Pilar e saiu aos 18 anos para servir ao Exército e morar em João Pessoa.

 

Meu avô, pai dele, era lavrador e muito pobre. Muitas vezes não tinham quase nada para comer. Papai, ainda criança, ajudava meu avô na lavoura e ia com ele trabalhar em outras cidades, muitas vezes fazendo o trajeto a pé. Acho que por conta dessa origem tão pobre, ele sempre foi muito preocupado que não nos faltasse alimentação. Todo o dinheiro que recebia era sempre para a comida em primeiro lugar.  

 

Já adulto trabalhou em João Pessoa numa representação da fábrica de charutos Suerdieck. Casou em novembro de 1951 e quando a empresa faliu ele foi trabalhar no Banco Lar Brasileiro, associado ao Chase Manhattan Bank, em Curitiba, para onde fomos em 1953, antes que eu completasse um ano de idade, emprego arranjado pelo antigo empregador falido, que nunca lhe pagou os direitos trabalhistas. Como eu e ele tivemos pneumonia em Curitiba, o médico nos aconselhou a voltar para o Nordeste e ele foi transferido para uma agência do Banco no Recife, cidade onde moramos por 51 anos. Voltar para João Pessoa e para perto da família, foi um sonho que ele acalentou a vida toda, que nunca pensou em ver realizado e que conseguiu em 2007.

 

Foi demitido do Lar Brasileiro com quase 10 anos de trabalho e se tivesse procurado um advogado, certamente teria sido readmitido, pois já tinha estabilidade, mas ele sempre foi avesso a reclamar judicialmente o que lhe era devido, certamente por acomodação ou falta de orientação. Com o dinheiro da demissão comprou o ponto de uma cantina que funcionava no 6º andar do Edifício da Receita Federal, no Recife, onde ficou por 8 anos, até ser mandando embora pelo superintendente da época, sem direito a nada, já que o ponto pertencia à Receita. Trabalhávamos todos lá, inclusive eu e meu irmão, ainda crianças. Isso nos ensinou a ter responsabilidades logo cedo.

 

Quando foi praticamente expulso e ficou sem trabalho, um dos funcionários da Receita, arranjou um emprego para ele numa beneficiadora de mármore. Além do trabalho normal e para ganhar um dinheirinho a mais, trabalhava também como vigia aos sábados e domingos, o dia inteiro, e eu ia levar almoço para ele. Essa situação me doía bastante e como eu já era digitadora no Serpro, resolvi arranjar mais outro emprego e tirá-lo desse suplício de final de semana. Por conta disso, atrasei meu curso de jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco e terminei trancando a matrícula em definitivo, atitude da qual nunca me arrependi. Onze anos depois é que voltei a estudar.

 

Ele não ficou muito tempo nesse emprego e a mesma pessoa que o arranjou, conseguiu outro no SESI, onde ele trabalhou por 18 anos no almoxarifado e se aposentou na compulsória, aos 70 anos. Nunca chegou atrasado ao trabalho, era durão e exigente com os fornecedores e só faltava por motivo de doença. Via os colegas reclamando de tudo, mas ele nunca reclamou de nada e sempre foi trabalhar satisfeito.

 

Foi um dono de casa de dar inveja. Ajudava minha mãe e a mim nas tarefas domésticas e nunca deixou que fôssemos à feira ou ao açougue. Uma vez cortou a mão e não pôde fazer a feira, mas nos acompanhou até lá para nos mostrar os feirantes dos quais era freguês e para que ninguém nos enganasse. E cozinha bem! Hoje não mais como antes porque a coluna não o deixa ficar em pé muito tempo, mas, às sextas-feiras, ainda faz o feijão que come durante toda a semana. E quando acorda sem muita dor na coluna, faz o café, como fazia antigamente, pois era o primeiro que acordava e saía para trabalhar, então já deixava tudo pronto para nós. Pense num dono de casa bom!

 

Ele e minha mãe brigavam, como a maioria dos casais, mas nunca por causa de mulher, de bebedeira ou porque ele deixou de cumprir suas obrigações de marido e pai. Ele sempre disse que namorou, bebeu, divertiu-se, enfim, fez tudo que tinha direito quando solteiro, mas depois de casado, só minha mãe e a família existiam para ele. Claro que ele continuou a gostar (ainda gosta e toma) de uma cachacinha antes do almoço, mas é só isso. Nada de farras nem mulheres. Jamais passamos por constrangimentos por um mau comportamento do meu pai.

 

Papai é uma pessoa bem-humorada, brincalhão, mas ninguém pise nos calos dele que explode feito bomba! É inteligente, mas só fez o curso primário. Lê jornal diariamente para se inteirar das notícias, pois como tem sérios problemas auditivos, não escuta bem a TV. Usa aparelhos nos dois ouvidos, mas não gosta. Coloca às 5 da tarde e tira quando vai dormir, por volta das 22 horas. Esse é um problema sério e que causa um pouco de estresse a nós dois, pois tenho que repetir as coisas 3, 4, 5 vezes, além de falar alto (minha voz é poderosa por natureza) para que ele escute. Como agora está com aparelhos novos, espero que se convença a usá-los o dia inteiro para que possa me escutar.

 

É portador de dois tipos de câncer: um na próstata, há 13 anos, e outro na medula (mieloma múltiplo), que causa anemia e ataca os ossos, descoberto em 2009 e que não é metástase do outro. Faz quimioterapia para o mieloma, as taxas baixam, então precisa tomar sangue, coisa que ele detesta, e por aí vai. A coluna dele, que é um S de tão troncha, o aperreia muito também e há dias em que as dores são intensas. Muitas vezes pergunta a Deus o que fez na vida para merecer tanto castigo no que se refere à saúde. Tadinho...

 

Mesmo com todos esses poréns, ele não desanima. Continua conversador (adora contar as coisas do passado dele e lembra de onde moravam as pessoas aqui no bairro de Jaguaribe, onde residimos atualmente), teimoso (quer fazer tudo o que não pode, inclusive trabalhos em casa) e não é exigente com nada. Não se importa de andar com roupa rasgada, sapato furado e não sai assim porque não deixo. Continua simples, sem vaidades e preocupado em ter a alimentação antes de tudo.

 

Meu pai sempre foi um homem decente, sempre deu bons exemplos para os filhos e netos e eu tenho muito orgulho de ser sua filha. Faço o que posso para que seus dias sejam os mais amenos possíveis. Faço o que posso para que suas doenças não o impeçam de continuar alegre, brincalhão e conversador, como sempre foi. Devo isso a ele, por ter me criado dando bons exemplos e me ajudado a ser a pessoa que sou hoje.

 

Parabéns, querido e amado pai! Que Deus o abençoe e ilumine sempre!

 

E dedico-lhe esta bela poesia de Mário Quintana.

 

 

 

 

 

AS MÃOS DO MEU PAI

 

Mário Quintana

 

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis

sobre um fundo de manchas já cor de terra

— como são belas as tuas mãos —

pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram

na nobre cólera dos justos...

 

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,

essa beleza que se chama simplesmente vida.

E, ao entardecer, quando elas repousam

nos braços da tua cadeira predileta,

uma luz parece vir de dentro delas...

 

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,

vieste alimentando na terrível solidão do mundo,

como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?

 

Ah, Como os fizeste arder, fulgir,

com o milagre das tuas mãos.

 

E é, ainda, a vida

que transfigura das tuas mãos nodosas...

essa chama de vida — que transcende a própria vida...

e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...

 

 

27/03/2011

 

Foto de 20/03/2011

 


 


àS MULHERES DA MINHA VIDA

 

 

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, faço uma homenagem às mulheres que fizeram e fazem parte da minha vida e que são muitas.

 

A primeira e mais importante é a minha mãe, Cinira de Carvalho Vieira, porque me deu a vida, me ensinou as primeiras palavras, os primeiros passos, a ser uma mulher decente, responsável, a amar a família e ao próximo.

 

A segunda mais importante foi a minha ama-de-leite, da qual, infelizmente, não lembro o nome, pois sem ela para me amamentar eu não teria sobrevivido (que exagero!) nem me tornado uma bebê gordinha e saudável.

 

Depois vêm todas as outras que de uma maneira ou de outra me ajudaram a crescer como pessoa, a ser quem sou hoje, me passando conhecimento (as professoras), me ensinando a trabalhar (colegas de trabalho), me dando amor, amizade, carinho, compreensão, ajuda e um ombro amigo nos momentos difíceis (as mulheres da família e as amigas queridas).

 

Para homenageá-las realmente, com algo belo e poético, nada melhor que o grande Vinicius de Moraes e o seu poema A MULHER QUE PASSA.

 

Um grande abraço a todas as mulheres da minha família, às amigas reais, virtuais, as que não conheço e visitam este modesto blog, assim também como as que me seguem.

 

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

 

Fátima Vieira

 

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A MULHER QUE PASSA

 

Meu Deus, eu quero a mulher que passa

Seu dorso frio é um campo de lírios

Tem sete cores nos seus cabelos

Sete esperanças na boca fresca!

 

Oh! como és linda, mulher que passas.

Que me sacias e suplicias

Dentro das noites, dentro dos dias!

 

Teus sentimentos são poesia

Teus sofrimentos, melancolia.

Teus pelos leves são relva boa

Fresca e macia.

Teus belos braços são cisnes mansos

Longe das vozes da ventania.

 

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

 

Como te adoro, mulher que passas

Que vens e passas, que me sacias

Dentro das noites, dentro dos dias!

Por que me faltas, se te procuro?

Por que me odeias quando te juro

Que te perdia se me encontravas

E me encontrava se te perdias?

 

Por que não voltas, mulher que passas?

Por que não enches a minha vida?

Por que não voltas, mulher querida

Sempre perdida, nunca encontrada?

Por que não voltas à minha vida

Para o que sofro não ser desgraça?

 

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Eu quero-a agora, sem mais demora

A minha amada mulher que passa!

 

No santo nome do teu martírio

Do teu martírio que nunca cessa

Meu Deus, eu quero, quero depressa

A minha amada mulher que passa!

 

Que fica e passa, que pacifica

Que é tanto pura como devassa

Que bóia leve como a cortiça

E tem raízes como a fumaça.

 

Vinicius de Moraes

 

Fonte: http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/article.php3?id_article=85

 

08/03/2011


 


 


PONTES IMPLODIDAS
 


Fátima Vieira

 

Li ontem num blog, neste endereço http://migre.me/3XpIU, uma metáfora que o blogueiro fez, usando a figura de uma ponte, sobre as decisões que devemos tomar na vida em decorrência de fatos que nos acontecem e que, tomada a decisão, ela não tem volta. Concordo com ele.

 

Recentemente, mais precisamente no mês de novembro passado, detonei uma ponte que me ligava a uma pessoa porque descobri que essa pessoa tinha mais “duas pontes” iguais a que tinha comigo. Isso sem contar que pode até haver mais “pontes” das quais não tenho conhecimento.

 

Três anos atrás eu já havia detonado essa ponte, mas, por pedidos da pessoa em questão, para que lhe fosse dada nova chance, eu a reconstruí. Claro que a reconstrução não podia ser perfeita e ficaram rachaduras, grandes, que abalaram a estrutura da ponte, mas, mesmo assim ela serviu e seguimos em frente. Eu na esperança de que o pedido de nova chance fosse decentemente cumprido, o que não aconteceu. A pessoa, certamente, achando que eu fecharia os olhos e aceitaria nova recaída, o que também não aconteceu.

 

O fato é que agora detonei de vez essa ponte, sem dó nem piedade, com uma carga enorme de TNT! De quebra, ainda espalhei um pouco do TNT nas “outras duas pontes”. O que aconteceu com elas não sei nem quero saber. Penso que devem ter ficado com as estruturas um pouco abaladas, mas isso não é problema meu. Fiz a minha parte ao mostrar que aquelas “pontes”, como a minha, estavam construídas em cima de mentiras e deslealdade. O resto não é comigo!

 

Hoje olho para o local onde a minha ponte estava e não vejo mais nada, pois TODOS os escombros foram minuciosamente removidos. E como não vejo mais a ponte, também não vejo do outro lado, a pessoa à qual ela me ligava. Sumiu! Está invisível! Transparente!

 

E assim a vida segue. E a minha vida está ótima! Esses atropelos que aparecem pelo caminho, fazem parte. Eu vou tirando os que posso, como tirei a ponte. Os que não posso tirar, vou contornando e seguindo em frente. Essa é a ordem natural das coisas.

 

27/02/2011

 



O MEU IRMÃO...

 

 

Fátima Vieira

 

Faz 12 anos hoje, 25/01/2011, que o meu único irmão, Ademar ou Deco, como eu o chamava quando era pequena, suicidou-se ingerindo veneno de rato com leite condensado, que ele adorava.

 

Ele nasceu em 1954, exatos 1 ano e 9 meses depois de mim, em Curitiba, onde papai foi trabalhar no Banco Lar Brasileiro. Nós mudamos de João Pessoa para lá no final de 1953, ficamos por 3 anos e depois fomos para o Recife, onde moramos até 2007.

 

E eu acho que errei quando disse que me descobri ciumenta aos 23 anos. Que nada! Eu sou ciumenta desde que nasci. O meu irmão sofreu que só comigo quando era recém-nascido. Mamãe contava que via umas manchas roxas nas unhas dele, bem na parte da cutícula, mas não sabia o que era. Um dia ela entrou no quarto e me encontrou dentro do berço dele, em pé, mordendo os dedinhos do bichinho. Tudo isso porque as atenções agora estavam voltadas para ele, que tinha acabado de nascer e não mais para mim, que antes reinava sozinha. Ainda bem que mamãe descobriu e me vigiou para não repetir a tortura. Tadinho...


Ele era uma criança linda! Lourinho, lourinho, com olhos bem azuis, mais que os meus e tenho certeza que foi uma criança feliz. Estudava, brincava, tinha amiguinhos e brinquedos simples, como os da época e que as posses do meu pai permitiam comprar. E os meus pais sempre foram muito legais conosco. Nunca discriminaram um em favor do outro. Se papai ganhasse um bombom no trabalho, não comia e ainda comprava outro igual para levar um para cada filho. Estudávamos na mesma escola e sempre particulares, enquanto fazíamos o primário. No ginasial fomos para escolas públicas e só uma vez ele passou um ano sem estudar porque mamãe só conseguiu matrícula para mim, mas no ano seguinte ele voltou para a escola, coisa que nunca gostou.

 

O que ele gostava mesmo era de brincar e de desmontar e remontar seus brinquedos. E minhas bonecas, coitadas, viravam destroços, pois ele quebrava todas. E como sempre foi muito traquina, apanhou de papai muito mais do que eu. Depois que cresceu, essa curiosidade em saber como funcionavam as coisas e a facilidade de aprender, fez com que não pagasse por muitos serviços que ele mesmo fazia, inclusive consertos no carro.




Eu, ele e nosso avô materno Odilon


E nunca foi um menino brigão nem violento, pelo contrário. Era muito bobo, talvez porque não fosse muito alto para a idade e os meninos batiam nele. Lembro de um menino maior que ele, chamado Paulo, que morava na nossa rua e batia nele com frequência. Um dia papai chamou outro menino da rua e pagou a ele para bater nesse Paulo. Depois que levou a surra o pai foi tomar satisfações com o meu pai, mas a coisa ficou por isso mesmo e o melhor foi que nunca mais o filho dele bateu em Deco. O que papai fez não foi correto nem um bom exemplo para nós, mas defendeu seu filhote e até deu uma lição no agressor, que eu espero tenha servido para o resto da vida: quer bater? Então procure alguém do seu tamanho para fazer isso e não um menor e indefeso.

 

O medo que ele tinha de dentista era fora do comum. Me lembro dele chorando tanto, mas tanto toda vez que ia à nossa dentista, que era uma luta para cuidar dos seus dentes. Uma vez, quando adolescente, o dentista para o qual fomos desistiu de examiná-lo porque ele começou a suar, a ficar pálido e frio, tanto que o profissional teve medo que desmaiasse e mandou-o descer da cadeira. Quando rapaz teve que perder um pouco desse medo, pois se não tratasse os dentes e os perdesse, as moças não iam querer namorá-lo. Pelo menos foi um bom motivo para se cuidar.

 

Como não gostava de estudar, mamãe colocou-o para trabalhar aos 15 anos, com um despachante do Porto do Recife e ele se deu muito bem nesse trabalho. Era muito trabalhador e não enjeitava serviço. Também era muito inteligente e se tivesse estudado mais tinha conseguido um emprego melhor. Aprendeu inglês lidando com os gringos no porto e com as traduções que o chefe dele, que era tradutor, fazia e ele transcrevia na máquina datilográfica. Uma vez o vi conversando em inglês com o tripulante de um navio e se expressava tão bem que parecia ter estudado a língua. E mesmo só tendo terminado o ginasial, assimilou bem as lições, pois escrevia em bom português. Descobri isso quando li as cartas de despedida que deixou e outras que estavam no computador dele.



Eu, ele, os filhos e papai



Nós brigávamos muito quando crianças e, adultos, não foi muito diferente. Nossos temperamentos e modo de pensar e agir eram bastante divergentes. Ele, apesar de ser uma pessoa boa, de gostar de ajudar os outros, não dava muita importância à família (nossos pais e eu). Era o jeito dele. Não era maldade, era displicência mesmo. Eu, ao contrário, sempre fui o esteio, a que estava lá para o que desse e viesse, chovesse ou fizesse sol. Essa característica dele me irritava profundamente e nós brigávamos. Eu queria que ele fosse mais atencioso com nossos pais e fosse mais presente nas questões familiares, mas não era assim. Talvez eu tivesse uma parcela de culpa nisso, já que sempre tomei para mim as grandes responsabilidades da família, mas alguém precisava ajudar meu pai com essas responsabilidades e eu era a mais velha.

 

Foi casado duas vezes e no primeiro casamento teve um casal de filhos, Michele e Thiago. O segundo casamento foi conturbado. Brigavam muito e quando ele fez a bobagem de morrer, estavam separados. Ele queria que ela voltasse, ela não quis e ele entrou em depressão e suicidou-se. Antes pediu que ela fosse vê-lo, exatamente no dia em que morreu. Não sei se queria matá-la também (encontramos uma seringa enorme, cheia de um líquido preto, junto a um colchonete, no chão de outro quarto) ou se era para que ela sentisse remorso por vê-lo morto. E foi ela quem o encontrou.




Os três filhos


Ele era muito namorador e no IML, quando fomos liberar o corpo, eu e a filha tivemos uma grande surpresa: apareceu uma mulher com outro filho dele. Pensem num sufoco! Minha sobrinha, coitada, que tinha 17 anos, quase morre também! A cena parecia tirada de uma piada dos antigos almanaques de remédios. E o pior, o menino, que foi assassinado na adolescência, por se meter com quem não devia, tinha o mesmo nome e idade (apenas 5 meses de diferença de um para o outro) do filho nascido no casamento. Parece mesmo uma piada de mau gosto, não?

 

Quando ele morreu, estávamos meio que brigados e eu não sabia que estava tão deprimido porque ele nunca foi de se abrir com a família. Os amigos sabiam, pois no dia 31 de dezembro já tinha tentado se matar, mas nenhum deles teve a coragem de chegar para alguém da família e contar. Essa primeira tentativa foi um pedido de ajuda, que ele não teve...

 


Os filhos à esquerda e os gêmos da cunhada à direita


Meu irmão era uma pessoa alegre e de bem com a vida, pelo menos assim parecia. Adorava fazer brincadeiras com as pessoas e gostava de conversar. Os filhos da cunhada, eram loucos por ele, pois os levava para passear e cuidava deles como se também fossem seus filhos. Por ele ser assim, jamais pude imaginar que faria algo desse tipo.

 

O suicídio dele me abalou muito, por anos, pois me culpava por não tê-lo ajudado. Hoje, passado todo esse tempo e depois de ter procurado ajuda terapêutica, não penso mais assim. Não me culpo mais. Eu e meu pai ainda sentimos muito a falta dele e o que fez, mas seguimos em frente, porque não nos restou mais nada a fazer.

 


Thiago e Michele com papai em 27/12/2010

E os filhos também sentiram muito, principalmente o menino, filho do casamento e com quem eu convivia, que era louco, apaixonado pelo pai. No velório e no enterro ele não pronunciou uma única palavra e nem derramou uma lágrima sequer. A irmã chorou, gritou, mas ele não. Guardou para si toda a dor que estava sentindo. E nem consigo quantificar o tamanho dessa dor nem o que se passava na cabeça dele. Deve ter sido um desgosto grande demais saber que o pai não pensou nele (logo ele, que o amava tanto) e matou-se por causa de uma decepção amorosa. Isso foi muito para um garoto de 13 anos que nunca falou sobre o assunto. Só uma única vez, algum tempo depois e quando estava junto com o outro irmão, me perguntou o porquê do pai ter feito aquilo. Após ouvir as minhas singelas explicações, calou-se para sempre! Anos mais tarde, vimos com tristeza o que essa perda causou a ele, mas hoje já é um rapaz de 24 anos e, como o pai, é alegre, brincalhão e não enjeita trabalho. Também já é pai de uma menininha recém-nascida e segue tocando a vida. A irmã passou melhor pela tragédia e recuperou-se mais rápido e melhor que ele.

 

Infelizmente, quem comete um ato desses, pensa que é a solução para tudo e que assim vai deixar as pessoas em paz. Grande engano! As sequelas para os que ficam são grandes e, muitas vezes, difíceis ou até impossíveis de curar. Eu que o diga...


25/01/2011
 


 

ANIVERSÁRIO DA MINHA MÃE...

 

 

Hoje, 15 de janeiro, é o aniversário da minha mãe. Ela se chamava Cinira e meu avô colocou esse nome nela, tirado de uma história de um livro didático. Se ela fosse viva, faria 88 anos, mas, infelizmente, morreu aos 67 anos, em 02/11/1990, de uma hérnia estrangulada, não detectada a tempo pelos médicos, o que a fez ter infecção generalizada e morrer após 3 dias no hospital. Morreu na UTI, mas lúcida e falando comigo, mesmo entubada.

 

Minha mãe era baixinha, media só 1,51cm e gordinha, isso depois de casar e ficar grávida, pois solteira, pesava 40kg e tinha um corpinho e umas pernas de dar inveja (vejam a foto), mas pensem numa baixinha e gordinha valente! Enfrentava qualquer marmanjo de 1,90cm sem pestanejar. Uma vez, ela enfrentou o marido de uma vizinha, um cabra grande, forte, esquizofrênico, que queria matar a mulher numa das crises, porque ela pulou o muro e se abrigou na minha casa com medo dele. Mamãe o pôs para correr!

 

Quando o meu tio Luís, irmão dela, que era militar da Aeronáutica, matou a mulher por acidente, comprovado perante o Juiz pela própria mãe da mulher dele, mamãe enfrentou o delegado que levou o meu tio preso, por não ter chamado a Aeronáutica para levá-lo, o que é o procedimento correto para os militares. Depois de ouvir cobras e lagartos da minha mãe, o delegado não teve outra alternativa, senão cumprir a obrigação dele.


Mas a mulher braba era um doce de criatura. Alegre, prestativa, amiga, sempre pronta a ajudar quem precisasse.Duvido alguém chegar à nossa porta pedindo uma esmola para ela negar. Nunca! E falava pelos cotovelos!

 

E que mãe incrível ela foi para o seu casal de filhotes. Nunca deixou de comemorar nossos aniversários. Ela mesma fazia o bolo confeitado e todos os docinhos e salgadinhos. Lembro de um piano que ela fez para mim. Mandou papai encomendar uma bandeja em forma de piano de cauda e fez tudo direitinho, sem nunca ter feito um curso de confeitaria. E ficava até altas horas da noite preparando tudo para a festa.

 

Também fazia aniversários e casamentos das minhas bonecas e das minhas amigas. Sentava horas à máquina de costura fazendo roupinhas para as minhas bonecas. Ensinava nossos deveres e ia a todas as reuniões da escola. Quando já estava no ginasial, que hoje deve ser o equivalente ao primeiro grau, ela deixava o meu irmão, que não gostava de estudar, na porta do colégio. Ele entrava e depois que ela ia embora, ele fugia para ir foguetear (que termo mais antigo!) com os amigos. Isso ela descobriu depois, mas cumpria a obrigação de mãe levando-o até à porta da escola.

 

Uma vez ela me deu uma lição que jamais esqueci. Quando eu estava no jardim da infância, com uns cinco anos de idade, um dia cheguei em casa com um vestidinho de boneca trancado na mão. Lembro como se fosse hoje que era um vestidinho amarelinho com flores miúdas que eu levei das bonecas da escola para vestir nas minhas em casa. Quando ela viu o vestido na minha mão e eu confessei de onde tinha tirado, ela me levou de volta para a escola e me fez devolver o vestido para a professora e pedir desculpas pelo meu erro. Bela lição!

 

Mas era muito mole comigo e meu irmão. Quando fazíamos as coisas erradas em casa ela dizia sempre: “quando seu pai chegar eu vou dizer”. Não era essa a forma correta de educar. Devia corrigir a gente, como ela fez com a história do vestidinho da boneca, na hora!. Meu pai que é calmo, mas fica brabo se pisar nos calos dele, chegava em casa cansado, com fome e ouvia mamãe buzinando nossas traquinagens no ouvido dele e não dava outra: tome lapada de cinturão na gente! Meu irmão, que era muito danado, apanhou que só!

 

E sempre foi uma mulher dedicada ao meu pai, que era e é uma pessoa muito decente. Eles brigavam porque ela tinha gênio forte e falava o que lhe vinha à cabeça, mas nunca os vi brigar por ciúmes, pois meu pai nunca deu motivos a ela para isso.

 

Ele trabalhava como contínuo no Banco Lar Brasileiro, nós morávamos longe e éramos muito pobres. O fogão da nossa casa era de barro, à carvão, mas nunca meu pai chegou em casa na hora do almoço casa para não encontrar a comida pronta, para que ele pudesse voltar a tempo para o trabalho. E era uma ótima cozinheira! Adorava cozinhar e inventava comidas para o nosso deleite.

 

Era um pouco hipocondríaca, mas melhor assim que ser como papai, que nunca diz o que sente e já passou por situações difíceis por causa disso.

 

E eu tenho grandes amigos em SP e em outros lugares, que se hospedaram algumas vezes na minha casa (tudo isso no Recife). Ela dizia que não ia paparicar ninguém, que não ia fazer nada, mas quando eles chegavam, ela os tratava a pão-de-ló. Taí Pepê, um grande e querido amigo de SP, há 33 anos, que o diga! Ele a chamava de Cinirinha e chama meu pai de Dema (Ademar).

 

E eu nunca tive segredos para ela. Contava dos meus namorados, dos problemas no trabalho, na faculdade e nunca menti, até porque mentira tem pernas curtas e a coisa que tenho mais medo na vida é ser pega em uma mentira.

 

Já faz 20 anos que minha mãe morreu, mas parece que foi ontem. Tenho muitas saudades dela, principalmente por não estar aqui quando nós temos uma qualidade e um padrão de vida melhor e por termos voltado para João Pessoa, cidade onde ela criou-se (era pernambucana de Vitória de Santo Antão) e de onde saiu em 1953, só tendo voltado a passeio, para visitar a família.

 

Onde ela estiver, sei que vela por nós e dei graças por ela ter morrido antes de ver o suicídio do meu irmão, fato que, poderia tê-la matado, já que tinha problemas cardíacos.

 

Saudades de você, mamãe, muitas...

 

 

15/01/2011


  

 

COMO ME DESCOBRI CIUMENTA E PASSIONAL...

 

 

Fátima Vieira

 

Aos 23 anos eu namorava um homem de 39. Vale dizer que sempre gostei dos mais velhos, embora tenha tido uns “tititis” com homens mais novos que eu (um era 20 anos mais jovem). Mas não fiquem fazendo as contas de quantos namorados já tive porque não vão acertar. Levem em conta a minha idade, 57 anos, que sou solteira, nunca casei, portanto, livre para namorar muito (risos).

 

Esse homem de 39 anos, foi a primeira grande paixão da minha vida e o primeiro namorado sério que eu tive. E podem cair de costas por eu ter tido o primeiro namorado sério só aos 23 anos de idade. Antes disso foram amores platônicos, paqueras, coisa de adolescente, que nem chegaram a ser namoro.

 

Ele era (era não, é, porque penso que ainda está vivo, aos 73 anos de idade) um homem bom, generoso, alegre, boêmio, exímio violonista (tocava e cantava para mim: "teus olhos são duas contas pequeninas, qual duas pedras preciosas, que brilham mais que o luar"...), gostava muito de mim também, mas era muito namorador e eu ficava com o pé atrás, claro!

 

Nós nos dávamos o prazer de fazer grandes noitadas num local que havia no Recife, chamado Casa da Seresta, onde íamos às quartas-feiras para ouvir boa música, ao vivo, tocada por ótimos violonistas e cantada por pessoas que cantavam na noite, em bares e boates. A quarta-feira era o dia de folga, por assim dizer, dessas pessoas e eu desfrutei muito disso e guardo as melhores lembranças desse tempo.

 

E quando a gente é jovem, tudo é bom e fácil. Eu chegava em casa às 4/5 horas da manhã, tomava um banho, tomava café e ia trabalhar, como digitadora. Nunca faltei ao trabalho nem cheguei atrasada por causa das minhas noitadas. Sempre fui extremamente responsável.

 

Pois bem, meu namorado namorador se comportava bem comigo e eu nunca descobri nenhuma traição nem canalhice dele. Sempre estávamos juntos e eu sabia os lugares que ele freqüentava e até as amizades que tinha, pois conhecia muitas dessas pessoas.

 

Na época eu tinha um fusquinha branco e ele um fusquinha azul, que chamava de Herbie, por causa do filme "Se meu fusca falasse".

 

Uma sexta-feira eu saí com uma amiga e depois fui levá-la em casa, lá em Piedade, uma praia que ficava depois da Praia de Boa Viagem.

 

Na volta, vim pela Av. Boa Viagem , que é à beira-mar e entrei na Antonio Falcão para seguir direto e chegar ao bairro da Imbiribeira, onde eu morava.

 

Quando dobrei na Antonio Falcão (já era perto de uma da manhã ou mais) dei de cara com Herbie, estacionado junto a um prédio onde eu sabia que morava uma amiga da minha paixão. Pense num susto!!!

 

Que fiz eu: estacionei meu carro atrás do dele e comecei a vigilância. Decidi que ficaria ali até ele aparecer. Queria pegá-lo no flagra e nada melhor que esperar. E esperei... Esperei... Esperei...

 

Só não pensem que esperei sentada, absolutamente. Em alguns momentos até sentei no meio-fio, quando me senti cansada e quando vi um carro da polícia, com medo que eles me abordassem para saber o que eu fazia a uma hora daquela, sozinha, na rua. Hoje eu jamais faria isso, com todo o perigo que presenciamos diariamente.

 

Naquela época os prédios não tinham a segurança que têm hoje em dia, então eu subi no prédio onde morava a amiga dele (eu não sabia qual era o andar) e fui colocando o ouvido em todas as portas para tentar escutar o som de um violão porque sabia que ele estava ali tocando, entre outras coisas que eu estava imaginando, claro! Não escutei nada! Depois descobri que ela morava na cobertura e para lá não tinha acesso pela escada, pelo menos que eu pudesse ver. Também descobri depois que a moça (ele me levou lá) pesava uns 200kg e nem se levantava muito do lugar por causa da gordura e das doenças que tinha. Fiquei até com remorso de ter pensado mal da situação.

 

Sem me dar por satisfeita em não encontrar o AP onde ele estava, fui ao prédio vizinho e fiz a mesma coisa. Quem sabe eu estava procurando no prédio errado, né não? Não encontrei nada! Voltei e fiquei sentada no meio-fio esperando...

 

Quando já eram umas 4 horas da manhã, resolvi ir embora, mas antes pensei em deixar a minha marca para ele saber que estive ali a esperá-lo.

 

Naquela época os carros não tinham a segurança que têm hoje e eu consegui abrir o carro dele com a chave do meu, afinal os dois eram fusquinhas. Abri e deixei um bilhete para ele pendurado no espelho retrovisor interno, dizendo que tinha estado ali a esperá-lo e mais um monte de desaforos.

 

Fim da história? Fui para casa? Que nada! Tive outra ideia, que ia deixá-lo irado e sem poder sair do lugar. Arranjei um palito ou alguma outra coisa que não lembro agora e apertei o pito (o nome daquilo é pito?) do pneu da frente do lado esquerdo, esvaziando-o e depois do pneu de trás do lado direito. O pobre do Herbie ficou penso, tadinho... E quase fui pega pela polícia fazendo isso, que passou novamente no exato momento que eu cometia esse ato de vandalismo. Aí sim, fui embora para casa para dormir e esperar a confusão que ele faria quando aparecesse.

 

Lá pelas 3 da tarde, mais ou menos, ele apareceu. Com raiva? Que nada! Dando grandes gargalhadas com o que eu tinha feito e dizendo que tinha saído da casa da moça umas 5 da manhã e que se eu tivesse esperado um pouco mais tinha me levado para conhecê-la, o que aconteceu dias depois.

 

O que eu fiz? Nada! Dei boas gargalhadas também e ficou tudo bem. Foi com esse episódio que eu descobri o quanto sou ciumenta e passional. Um colega de trabalho de uma amiga disse que se a namorada dele fizesse isso com ele, também não acharia ruim. Pensaria que ela gostava muito dele, num pensamento parecido com o de Carpinejar.

 

E há outros episódios na minha vida sobre ciúmes. Uns engraçados e outros nem tanto. Um doeu demais, ao descobrir a traição de uma grande paixão. Abriu feridas que nunca cicatrizaram. Eu segui em frente com a relação, mas não perdoei e não perdoarei jamais, pois de santa só tenho o nome!

 

Sou humana, leal, fiel, apaixonada e quando entro numa relação ou em qualquer outra coisa na vida, é para valer. Sou incapaz de trair o homem que amo. Se não estiver gostando da relação, faço como dizia minha mãe “pego meus panos de bunda e vou embora”. Não sei trair nem para me vingar. Minha vingança é de outra maneira, mas trair, nunca!

 

Janeiro/2011

 



 

PARABÉNS PARA MIM!


Fátima Vieira

 

Hoje, 19/02/2010, completo 57 longos e bons anos de vida. Parabéns para mim!

 

Parece algo ridículo e prepotente eu mesma me dar parabéns, não é? É não!!! Me dou parabéns porque acho a vida uma coisa tão boa, mas tão boa, que fico muito feliz  por estar viva e comemorando mais um ano. Então, mereço parabéns por viver!

 

Há pessoas que nem dizem a data de nascimento (o ano então...), porque não gostam de comemorar aniversário. Eu sou totalmente o contrário dessas pessoas. Todo ano eu queria poder dar uma enorme festa, convidar toda a família e todos os meus amigos para celebrar a minha existência. E olhe que minha vida não é um mar de rosas, porque, como todas as pessoas, sofro com os percalços que ela me apresenta, mas faz parte e sou feliz assim.

 

Nesses 57 anos tive muitas vitórias e algumas derrotas, como a morte da minha mãe e do meu irmão. E, certamente, esses foram os fatos que mais me marcaram. Mas ainda tenho o meu pai, que está com uma grave doença, mas vivo e se tratando. Terá, pelo menos, uma boa qualidade de vida para terminar os dias dignamente.

 

Namorei muito e namoro ainda, mas nunca casei e não tenho descendentes diretos porque nunca quis ter filhos. Foi uma escolha da qual não me arrependo, mas muita gente diz que deveria ter filhos porque vou terminar a vida sozinha. E filho é sinônimo de companhia no final da vida? Nunca foi! Os filhos têm que seguir com suas próprias vidas e não ficar atrelados aos pais por obrigação ou pena. Eu cuido do meu pai porque quero, porque devo e porque me dá prazer. Meus pais nunca foram empecilho para nada na minha vida, pelo contrário. E continua assim. Muitas vezes me sinto cansada porque somos só nós dois e eu para fazer tudo, mas vale a pena e não reclamo.

 

Enfim, a vida é bela e quero viver muitos anos ainda, lúcida, produtiva, braba, moleca, alegre e sorridente, como sou, claro! E se for para ficar em cima de uma cama, melhor morrer logo. Não me imagino dando trabalho às pessoas, portanto, quero morrer dignamente, de um enfarto fulminante, de preferência. E depois do meu pai, para ele não ficar sozinho. Será que é pedir muito?

 


 

LEMBRANÇAS DO PADRE HENRIQUE

 

Fátima Vieira

 

 

Eu estudava no Colégio Municipal do Recife e cursava o primeiro ano do curso Científico,  que hoje corresponde ao segundo grau. O Padre Antonio Henrique Pereira Neto, Padre Henrique, como era conhecido, nascido no Recife, no dia 28 de outubro de 1940, filho de José Henrique Pereira da Silva Neto e Isaíras Pereira da Silva, sociólogo e professor, desenvolvia atividades junto ao então Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara e era uma espécie de capelão do Colégio Municipal, já que celebrava as nossas Páscoas e outras comemorações religiosas. Acredito que fazia isso porque dois dos seus irmãos, Terezinha e Alexandre, estudavam no colégio e na minha turma. Ele era uma criatura de uma doçura sem par.

 

Padre Henrique fazia um trabalho muito bom com adolescentes, acompanhando-os e orientando-os, trabalho esse que não agradava muito aos poderosos de plantão porque conscientizava os jovens da verdadeira situação do país na época braba da ditadura. Ele também ensinou no Juvenato Dom Vital, na Cúria Metropolitana do Recife, nos colégios Marista, Nóbrega e Vera Cruz, na Escola Técnica do Derby e na Faculdade de Ciências Sociais.

 

Na madrugada do dia 27 de maio de 1969, o corpo do Padre Henrique foi encontrado no campus da Cidade Universitária, no Recife, com marcas de tortura.

 

Na tarde desse dia fui ao Colégio, mas ao chegar encontrei tudo fechado, com um aviso da morte do Padre Henrique pregado no portão. Vários colegas já se encontravam na frente do Colégio, todos atônitos e sem saber a explicação da morte. No aviso também estava dito que o corpo seria velado na Igreja do Espinheiro e nós fomos para lá.

 

Quando chegamos à Igreja já havia um grande número de pessoas, a maioria jovens, como nós, estudantes universitários e secundários e uma fila enorme para ver o corpo. Foi um choque! Aquele rosto amigo e tranqüilo, continuava tranqüilo, mas estava arroxeado e sua testa mostrava um pedaço grande de pele arrancada. Choramos com a visão...

 

E foi celebrada uma missa de corpo presente e o tempo todo cantávamos a Oração de São Francisco, cujo trecho “E é morrendo que se vive para a vida eterna” parecia a coroação do que foi a vida do Padre Henrique, igualzinha à Oração de São Francisco...

 

Após algumas horas, saiu o cortejo, com o corpo à frente, rumo ao Cemitério da Várzea, distante dali uns 12 a 15km. Pelo caminho os universitários faziam comícios-relâmpago e nós, os secundaristas, apoiávamos e acompanhávamos.

 

Quando descemos a Ponte da Torre, demos de cara com um batalhão de choque da Polícia Militar. Os soldados estavam armados com cassetetes e escudos e partiram para cima da multidão, a fim de intimidar a todos. Foi uma correria geral. Muitas pessoas, no entanto, permaneceram onde estavam e até se ajoelharam, num gesto que para mim queria dizer: “batam em nós, desgraçados, pessoas pacíficas e ajoelhadas!”. Os soldados quebraram cartazes e bateram nos que se rebelaram.

 

Eu, que era grandona por ser alta e gordinha, peguei minhas duas amigas e colegas, Cristina e Kalua pela mão e saímos correndo a procura de abrigo. Encontramos numa farmácia, a uns 300m da ponte, na esquina da Rua Conde de Irajá com José Bonifácio, cujo dono já estava fechando e, por pouco, não nos deixa entrar. Ficamos ali, quietas e tremendo, até as coisas acalmarem e podermos ir embora para casa. Eu era muito jovem (tinha 16 anos) e não tive a coragem que teria anos depois, de continuar a marcha até o Cemitério da Várzea e enfrentar a polícia.

 

E nem fui para casa, fui para o prédio da Receita Federal, no Bairro do Recife, onde meu pai tinha uma cantina e estava lá com minha mãe e meu irmão. Eles nem imaginavam onde eu andava. Ao passar em frente ao quartel do Derby, vi mais carros do batalhão de choque, cheios de soldados, certamente prontos para reprimir os participantes do cortejo fúnebre, pacífico e ordeiro, de um mártir assassinado por alguém das suas próprias hostes, o Major José Ferreira dos Anjos, como se soube depois.

 

Ainda hoje fecho os olhos e vejo, como se fosse ontem, o rosto do Padre Henrique no caixão, tranqüilo, como só os justos podem ser e faltando um pedaço da testa...

 

Maio/2009




EU E A REDE FEMININA DE COMBATE AO CÂNCER

 

Fátima Vieira 

Depois que voltei para morar em João Pessoa, um dia precisei ir ao ambulatório do Hospital Napoleão Laureano, referência no tratamento de câncer na Paraíba, acompanhando uma pessoa amiga e lá vi umas senhoras vestidas com jalecos cor-de-rosa, com um monograma bordado do lado esquerdo do peito, bem em cima do coração, onde se lia REDE FEMININA DE COMBATE AO CÂNCER, JOÃO PESSOA/PB, VOLUNTÁRIA, prestando assistência aos pacientes e distribuindo lanches. No lado esquerdo do ambulatório vi uns senhores com jalecos azuis, com o mesmo nomograma, tocando músicas para alegrar os pacientes que esperavam para ser atendidos. Essas senhoras e esses senhores exerciam as suas funções com muito boa vontade e respeito aos pacientes. Naquele instante decidi que também queria ser um deles. 

Procurei saber como poderia me engajar e fui orientada a procurar a Casa de Apoio da Rede, que fica pertinho da minha casa, para me inscrever. Fiz isso em maio e em agosto/2008 comecei a trabalhar como voluntária da Rede Feminina de Combate ao Câncer na Paraíba.

O meu trabalho, às terças-feiras pela manhã, consiste em conversar com os pacientes dos SUS, que estão no Hospital Napoleão Laureano para fazerem quimioterapia. Eles passam, no mínimo, hora e meia ligados a soros e drogas pesadas que servirão para melhorar a sua condição de saúde e à tentativa de debelar o mal que os acomete. Muitos chegam a passar seis horas, sentados ou deitados, até terminarem a sua cota do dia. Alguns vão lá por dois, três dias seguidos, conforme seja o tratamento, para cumprir o mesmo ritual.
 

A maioria vem do interior e os de mais longe levam de seis a oito horas de viagem para chegar ao hospital. Saem de suas cidades pela madrugada, em ambulâncias das prefeituras, carros de aluguel ou de ônibus, desconfortavelmente acomodados, às vezes sem se alimentar, para não perder a hora. Nos arredores do hospital existem casas de apoio de prefeituras, sindicatos e até da Rede Feminina (atualmente fechada para reforma), que abrigam os que necessitam ficar por mais de um dia, fornecendo dormida e alimentação (algumas só dormida) a esses sofridos e necessitados seres humanos. 

Conversar com essas pessoas é muito bom. Muitas vezes acredito que sou muito mais beneficiada que eles nessa troca. As suas experiências de vida, seus problemas, alegrias e dificuldades, nos são relatados de uma maneira simples, sem reservas, sem medos e sem constrangimentos. E se eu não tiver cuidado passo o tempo todo de papo só com um paciente, quando tenho 16 para atender, num espaço de três a quatro horas. 

Um deles, lá do sertão, canta e nos brinda com seus improvisos. Já me contou que fez músicas para a campanha de vários prefeitos da sua cidade. Bebia e fumava muito, mas hoje leva uma vida mais regrada por causa da doença, mas não perdeu a alegria de viver nem a vontade de alegrar as pessoas com seu canto e loas. 

às quartas-feiras, na parte da tarde, também faço um trabalho junto aos familiares dos pacientes que estão na UTI do Laureano. Minha missão é dar um conforto, uma palavra amiga aos parentes que estão vivendo a iminência de perder seu ente querido e essa tarefa não é fácil. Muitos não têm a coragem nem de chegar junto do paciente (meu pai não conseguiu ver minha mãe na UTI) e, muitas vezes, querem que as voluntárias os acompanhem até o leito, como se buscassem uma força que eles não têm naquele instante. Não é fácil para nenhum dos lados... 

Saibam que nada disso que faço me torna melhor ou faz com que eu me distinga das outras pessoas, absolutamente. Optei por esse trabalho para ocupar um pouco do meu tempo com quem necessita, já que não posso mais ter um trabalho formal porque meu pai, que está com 87 anos, precisa da minha atenção e não pode ficar muito tempo sozinho. E não me arrependi da escolha que fiz. Estou feliz e tenho certeza que ainda poderei ser útil a essas pessoas por muito tempo. 

Se quiser saber mais sobre a Rede Feminina, clique aqui

Abril/2009




PAIXÃO DO MENINO DEUS - A VISÃO DE UMA SIMPLES ESPECTADORA

 

Fátima Vieira 

A Paixão do Menino Deus, espetáculo encenado ao ar livre, de graça, no centro de João Pessoa, com apoio da Funjope e da Prefeitura de João Pessoa, conta a Paixão de Cristo, contextualizada nos dias atuais, com atores amadores e outros com anos de experiência, dirigidos por um diretor experiente e que também é o autor do texto, Tarcísio Pereira. 

É a história de Emanuel*, filho de Mariana e Zé Carpinteiro, um rapaz que tenta resgatar seus companheiros da periferia, das drogas e dos crimes. E seu amor ao próximo e a sua determinação surtem efeitos positivos, mas desgostam os traficantes e os chefes de gangues. E Emanuel é raptado, torturado e assassinado. 

A história tem todos os elementos da Paixão de Cristo tradicional, mas todos modernizados (a "ressurreição" de Emanuel acontece num hospital e é feita por médicos) e Jesus Cristo, tal qual como o conhecemos, está presente o tempo todo, contando o seu sofrimento e em diálogos com Emanuel. 

Confesso que esperava menos, dentro da minha visão de simples espectadora e pelo pouco tempo que o grupo teve para ensaiar, mas o que vi foi um espetáculo lindo, bem encenado, cheio de recursos tecnológicos, muita luz, muita música, com a Orquestra de Câmara e coral, regidos pelo maestro Eli-Eri Moura, além dos atores que também cantam,o que poderia até classificá-lo como um musical. A coreografia hip hop também tem vez no espetáculo, perfeitamente inserida no contexto dos personagens. 

Além da mensagem de doação e amor ao próximo, também vimos um recado ecológico e sobre o exercício de cidadania, com os anjos da peça indo ao palco, sempre que necessário, com um cesto onde se lia a palavra LIXO, apanhar latas e tudo o que era largado lá pelos atores, por exigência da cena. 

O público assistiu atento e em silêncio. E o final não poderia ser outro senão o da ascensão de Jesus Cristo aos céus, cena que sempre emociona, em qualquer contexto. Os aplausos do público foram todos merecidos.

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* Emanuel, (nome próprio hebraico que, traduzido, significa "Deus conosco"), é um nome profético que se referia à vinda do filho unigênito de Deus à Terra, frequentemente usado para se referir a Jesus Cristo, por este cumprir dezenas de profecias que anunciavam a vinda do Messias no Antigo Testamento, inclusive uma muito conhecida, do profeta Isaías, que dizia: "Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel" (ver Isaías 7:14 e Mateus 1:20-25). 
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Emanuel 

Abril/2009




MINHA VOLTA PARA JOÃO PESSOA

 

Fátima vieira 


Amanhã (22/12/2008) faz exatamente um ano que voltei para meu torrão natal, João Pessoa. 

Voltei para ter uma melhor qualidade de vida, para ficar perto da minha família, da minha paixão e tenho certeza que foi uma atitude bastante acertada. 

Recife foi e será sempre muito querida para mim. Lá consegui as coisas que hoje vim desfrutar aqui: bom emprego e estudo... Também foi lá que fiz grandes amizades, tive grandes paixões, algumas decepções e as piores coisas que poderiam me acontecer: perder minha mãe e meu irmão... Mas tudo isso faz parte da vida e serviram para o meu crescimento. 

Voltar para cá, depois de 53 anos fora e 51 em uma mesma cidade, me deixou um pouco apreensiva, afinal mudanças sempre nos causam um certo temor, mas foi tudo muito melhor do que eu pensava. 

As famílias da minha mãe e do meu pai são grandes e todos nos receberam e nos tratam muito bem! Tenho aqui tias, tio, primas e primos e no Recife tinha só meus dois sobrinhos e minha cunhada, além dos amigos, claro! 

Moro num apartamento muitíssimo melhor do que eu morava no Recife (o prédio tem até piscina), perto da família e também da minha paixão. Meu bairro, Jaguaribe, um dos mais antigos da cidade, é muito agradável, tem muitas casas, pouquíssimos prédios e fica perto de tudo: comércio, médicos e para a praia são só 7km. A rede de médicos da Geap (meu plano de saúde) na Paraíba, é tida como muito melhor que a de Pernambuco. E até hoje todos os médicos que procurei, com uma única exceção, não me decepcionaram, muito pelo contrário! 

às quartas-feiras, pertinho de casa, há uma feira que dura o dia inteiro e é considerada a melhor de João Pessoa. Tenho a Mata do Buraquinho, uma reserva de mata atlântica, como vizinha e na minha casa não faz calor. No inverno ficava o tempo todo com a porta e a janela da varanda fechadas, de tanto frio que fazia. Nem precisava ligar ventilador nem ar condicionado para dormir. Também não tem muriçoca, como tinha no Recife. O trânsito é infinitamente melhor que o do Recife. E aquela história de "motorista da Paraíba", é só puro preconceito mesmo! Não vejo os motoristas usarem as buzinas como no Recife e dar a vez para o pedestre, é uma constante por aqui. Também temos violência, mas ainda é muito seguro morar nesta cidade. 

Além dessas coisas, estou fazendo um trabalho voluntário na Rede Feminina de Combate ao Câncer na Paraíba, que está sendo pra lá de gratificante para mim. Estar com os portadores de câncer que fazem quimioterapia, uma vez por semana, me traz uma sensação tão boa de estar sendo útil que ninguém pode imaginar... E sinto não poder dedicar mais tempo a esse trabalho, pois preciso ficar com meu pai, que já tem 86 anos e precisa de companhia. 

Também já fiz algumas boas amizades e até já fui citada em coluna de jornal (uau!!!), portanto, já estou até famosa. 

Meu pai está adorando morar aqui, pois sempre teve vontade de voltar. Ele, que morava neste mesmo bairro, antes de irmos embora, lembra das pessoas, de onde moravam, de quem era quem e de fatos da história dos quais presenciou alguns. E está muito, muito contente por tudo! 

Essas simples palavras são para dizer da minha felicidade por estar aqui e que não deixem de conhecer João Pessoa, seu povo, suas belezas naturais e se quiserem mudar para cá, aposto que não irão se arrepender. 

Dezembro/2008 


A música de fundo é "My friend blond", de autoria do Maestro Edson Rodrigues e feita especialmente para mim.

 

 

 
 
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